Síntese do artigo:
Pluralidade como método
Depois de passar por agência, TV, mercado financeiro e empresas tradicionais, Nayara percebeu que setores diferentes escondem o mesmo problema: entender pessoas e continuar relevante num mundo que muda o tempo inteiro.
A virada estratégica
Enxergar o marketing como alavanca de crescimento, reputação e cultura organizacional, não só comunicação é um reposicionamento que muitas executivas ainda não fizeram.
Liderança sem endurecer a identidade
Sensibilidade não é o oposto de estratégia. Para ela, liderança também é sobre olhar pro outro e construir ambiente — não só controle e performance extrema.
Para Nayara, essa relação com o marketing começou muito antes da profissão. Antes mesmo de ocupar cargos de liderança, ela já observava comportamento, cultura, consumo, estética e comunicação com a curiosidade de quem tentava entender as conexões invisíveis que moldam a relação entre pessoas, marcas e sociedade.
Hoje, como Gerente Executiva de Marketing da Senna Brands, construiu uma carreira marcada justamente pela diversidade de experiências. Sua trajetória passou por agência, televisão, mercado financeiro e empresas tradicionais, quase sempre acompanhando organizações em grandes processos de transformação.
Foi essa pluralidade que moldou sua visão sobre a profissão. Ao vivenciar setores tão distintos, percebeu algo que se tornaria uma das bases da sua atuação profissional.
“Quando você vive contextos muito diferentes, começa a perceber que, no fundo, os desafios são parecidos: entender pessoas, gerar relevância e continuar fazendo sentido em um mundo que muda o tempo inteiro”, afirma.
Mas houve um momento decisivo em sua carreira. Em determinado ponto da trajetória, Nayara entendeu que não queria permanecer apenas no território da comunicação. O que realmente despertava seu interesse era o negócio por trás das marcas e como o marketing poderia ocupar uma posição mais estratégica dentro das empresas.
Essa mudança redefiniu completamente sua forma de atuar. Mais do que apoiar campanhas ou construir posicionamento, ela passou a enxergar o marketing como uma área capaz de influenciar crescimento, reputação, cultura organizacional e geração de valor.
“A grande virada da minha carreira foi perceber que marketing não era uma área de apoio. Era uma área capaz de influenciar negócios, percepção, reputação e crescimento”, resume.
Ao longo dessa construção, no entanto, vieram desafios que ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres no mercado corporativo. Na visão de Nayara, profissionais em posições de liderança continuam precisando provar competência de forma constante para serem reconhecidas como estratégicas, algo que ainda não acontece na mesma intensidade com homens ocupando cargos semelhantes.
Ela própria vivenciou parte desse cenário. Com a mãe, vinda do interior e tendo construído grande parte da carreira longe dos grandes centros e dos circuitos mais tradicionais do mercado, afirma que sempre precisou investir fortemente em desenvolvimento profissional para construir seu próprio espaço.
“O principal ponto é perceber que mulheres ainda precisam sustentar competência o tempo inteiro para serem reconhecidas como estratégicas”, reflete.
Segundo ela, ainda existe uma pressão permanente sobre como mulheres devem se comportar quando ocupam espaços de liderança, equilibrando entrega de resultados, firmeza e expectativas relacionadas à postura e comportamento.
Ao olhar para sua trajetória, Nayara afirma que seus momentos mais marcantes não estão necessariamente ligados a cargos ou projetos específicos, mas às transformações reais que conseguiu provocar dentro das empresas por onde passou.
Seu maior orgulho, conta, está justamente no impacto gerado ao ajudar organizações a repensarem a forma como se enxergam e se posicionam, especialmente ao conectar negócios, marcas, experiência e cultura de maneira mais estratégica.
Quando pensa no futuro, ela reconhece avanços importantes na discussão sobre liderança feminina, mas acredita que ainda existe um longo caminho pela frente. Na sua visão, muitas mulheres ainda sentem que precisam endurecer a própria identidade para ocupar espaços de poder, como se sensibilidade fosse incompatível com capacidade estratégica.
Mas ela enxerga exatamente o oposto.
“Precisamos parar de associar liderança apenas à ideia de controle e performance extrema. Liderança também é sobre sensibilidade, olhar para o outro, influência e capacidade de construir ambiente”, defende.
E é justamente essa lógica que ela espera ajudar a transformar. Seu maior legado, diz, seria contribuir para que outras mulheres consigam crescer profissionalmente sem sentirem que precisam abandonar quem são para chegar até lá.
Porque, para Nayara, a nova liderança nasce justamente do equilíbrio entre estratégia e humanidade. Uma visão que, no fim das contas, também define sua própria compreensão sobre marketing, aquela muito além da comunicação, uma ferramenta capaz de movimentar negócios e transformar a forma como as pessoas se conectam com o mundo.