Ela começou empreendendo com um bebê no colo e hoje lidera marketing, vendas e IA em uma edtech
Executiva construiu carreira fora do roteiro tradicional e mostra por que mulheres ainda precisam provar mais para chegar ao topo
Executiva construiu carreira fora do roteiro tradicional e mostra por que mulheres ainda precisam provar mais para chegar ao topo

A trajetória de Thalita Moreno Tomé mostra que carreiras executivas podem ser construídas fora dos caminhos tradicionais, unindo empreendedorismo, educação e crescimento acelerado.
Mesmo com o avanço feminino em cargos de liderança, mulheres seguem lidando com questionamentos sobre autoridade, capacidade de decisão e atuação em áreas ligadas a receita e crescimento.
Ao longo da carreira, Thalita consolidou uma visão de marketing integrada à jornada do cliente, vendas, produto e estratégia, especialmente impulsionada pela digitalização e pela inteligência artificial.
Para Thalita, ocupar posições de liderança vai além da conquista individual e envolve ampliar oportunidades para que mais mulheres cresçam em ambientes executivos e tecnológicos.
Durante muito tempo, carreiras executivas seguiram uma lógica previsível, a formação tradicional, crescimento linear e estabilidade corporativa. Mas o avanço de mulheres em áreas como marketing, tecnologia, vendas e negócios começa a mostrar que liderança também pode nascer de trajetórias improváveis, mudanças de rota e decisões fora do padrão.
É o caso de Thalita Moreno Tomé, atual CMO e CRO da Tera. Formada em pedagogia, a executiva iniciou sua carreira como professora substituta na Universidade Federal de Uberlândia, mas decidiu empreender ainda muito jovem, após não ser aprovada em um concurso público. A virada aconteceu ao ler uma reportagem sobre franquias de baixo custo. “Em geral, as pessoas trilham uma carreira executiva para depois empreender. Eu empreendi primeiro”, afirma.
O movimento deu início a uma trajetória marcada por expansão de negócios, liderança comercial e crescimento acelerado. No setor de franquias educacionais, Thalita chegou a operar 53 unidades e acompanhou uma rede saltar de 25 para 120 escolas franqueadas. Também liderou estruturas comerciais e afirma ter multiplicado por sete o número de alunos e o faturamento da operação.
A experiência ajudou a consolidar sua atuação em marketing, vendas e growth, áreas que passaram a ganhar ainda mais protagonismo com a digitalização dos negócios e o avanço da inteligência artificial.
Mas a ascensão em setores ligados à tecnologia também trouxe desafios conhecidos por muitas mulheres em cargos executivos. Na agtech Grão Direto, Thalita Moreno Tomé atuou em um ambiente majoritariamente masculino enquanto participava da expansão da plataforma, que passou de 30 mil para 220 mil produtores rurais cadastrados.
““Tive que me posicionar muitas vezes e justificar meu racional como líder”, conta.”
— Thalita Tomé, CMO & CRO na TeraO cenário reflete uma realidade ainda comum no mercado. Apesar do crescimento feminino em posições de liderança, mulheres continuam enfrentando questionamentos sobre autoridade, tomada de decisão e capacidade de liderar áreas diretamente ligadas a receita e crescimento.
Segundo o relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, mulheres ocupam 36,7% dos cargos de liderança em empresas de médio porte no Brasil. O avanço existe, mas ainda acontece em ritmo desigual, especialmente em setores ligados à tecnologia, inovação e negócios.
Depois da experiência no agronegócio, Thalita retornou ao setor de educação na Fluency Academy, onde participou do lançamento de uma plataforma de conversação que alcançou 30 mil contas criadas em apenas seis meses. A experiência reforçou sua visão de que marketing deixou de ser apenas comunicação para se tornar uma área conectada diretamente à jornada do cliente, produto, vendas e estratégia de negócio.
A maternidade também atravessou toda essa construção profissional. Mãe de Miguel, hoje com 13 anos, Thalita Moreno Tomé começou a empreender quando o filho ainda era recém-nascido. Mudanças de cidade, viagens constantes e decisões difíceis fizeram parte da rotina durante anos.
Ainda assim, ela rejeita a ideia de que carreira e vida pessoal necessariamente competem entre si. Para a executiva, liderança feminina também passa pela possibilidade de construir trajetórias menos engessadas e mais compatíveis com diferentes fases da vida.
Hoje, na Tera, Thalita lidera marketing e vendas em um momento em que empresas buscam acelerar o uso de inteligência artificial. Ela define a IA como “o novo letramento da humanidade” e defende que o acesso à tecnologia precisa ser ampliado para evitar novas desigualdades profissionais.
Ao falar sobre liderança feminina, Thalita Moreno Tomé acredita que o debate precisa ir além do discurso institucional. Para ela, mulheres que chegam a posições de liderança têm responsabilidade direta na abertura de espaço para outras profissionais crescerem.
““Mulheres que chegam lá têm um compromisso com as mulheres que vêm depois”, reforça.”
— Thalita Tomé, CMO & CRO na TeraA mensagem resume um movimento que ganha força no mercado: a ideia de que liderança feminina não deve mais ser tratada como exceção, mas como parte estrutural da transformação dos negócios.
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