Quarta-feira, 3 de junho de 2026Overview Editorial
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A cobrança invisível que ainda afasta mulheres do topo das empresas
Mesmo com avanço feminino em cargos de liderança, executivas ainda enfrentam desafios silenciosos para chegar e permanecer no alto escalão, conta Mariana Hatsumura Costa, VP & CMO na Blip, em entrevista
Maria Fernanda (Mafê)
Editora chefe (mCMOs) e co-Founder (Eco PR)
segunda-feira, 11 de maio de 2026 5 min de leitura
Síntese do artigo:
O avanço feminino na liderança ainda enfrenta barreiras invisíveis
Embora mulheres ocupem cada vez mais posições executivas, desafios estruturais e culturais ainda limitam sua presença nas cadeiras de decisão, especialmente em tecnologia.
Novas lideranças femininas buscam protagonismo estratégico
A trajetória de Mariana Hatsumura reflete uma mudança de comportamento entre executivas, que passaram a ocupar áreas ligadas diretamente a crescimento, inovação e receita.
Maternidade, flexibilidade e ambição ainda são vistas como conflito
A permanência de modelos corporativos tradicionais mantém pressões silenciosas sobre mulheres líderes, especialmente na forma como ambição e vida pessoal são percebidas.
Liderança feminina precisa deixar de ser exceção
Para Mariana Hatsumura, ampliar mulheres no topo exige acesso real a oportunidades estratégicas, revisão de vieses e construção de ambientes mais compatíveis com diferentes trajetórias de liderança.
A presença de mulheres em posições de liderança cresce no Brasil, mas a distância até o topo corporativo ainda é marcada por obstáculos que nem sempre aparecem nos relatórios de diversidade. Segundo o estudo Women in Business 2025, da Grant Thornton, mulheres ocupam 36,7% dos cargos de liderança em empresas de médio porte no país. O número representa avanço, mas ainda evidencia um cenário em que executivas seguem sendo minoria nas cadeiras de decisão.
No setor de tecnologia, onde liderança feminina historicamente foi ainda mais restrita, algumas trajetórias ajudam a traduzir as mudanças — e os desafios — desse novo mercado. Uma delas é a de Mariana Hatsumura, vice-presidente de marketing da Blip. Com mais de duas décadas de atuação em tecnologia, branding, growth e transformação digital, a executiva construiu carreira passando por gigantes como IBM, Sony, Whirlpool e Microsoft até assumir, em 2025, uma posição estratégica na empresa brasileira de tecnologia.
O movimento não aconteceu de forma linear. Ao contrário da lógica tradicional de crescimento corporativo baseada em estabilidade e permanência, Hatsumura optou por mudanças estratégicas ao longo da carreira para ampliar repertório de negócios e experiência em ambientes mais ágeis, especialmente no universo de startups e empresas em transformação digital.
Essa mudança de rota reflete um comportamento cada vez mais comum entre lideranças femininas: a busca por protagonismo em decisões estratégicas, e não apenas por cargos de gestão. Em áreas como marketing, tecnologia e growth, executivas passaram a ocupar posições diretamente ligadas à receita, inovação e expansão de mercado.
Ainda assim, a ascensão feminina continua acompanhada por cobranças diferentes das enfrentadas por homens. Entre elas, a expectativa de equilibrar firmeza e sensibilidade, ambição e acolhimento, autoridade e “simpatia”. Uma pressão que muitas vezes se manifesta de forma silenciosa nas avaliações internas, promoções e percepções de liderança.
““Existe uma cobrança para que mulheres sejam firmes, mas não duras; estratégicas, mas não ambiciosas demais”, afirma Hatsumura.”
— Mariana Hatsumura Costa
A maternidade também segue como um dos pontos centrais dessa discussão. Para a VP, o desafio não está apenas na conciliação entre vida pessoal e profissional, mas na permanência de culturas corporativas que ainda enxergam flexibilidade e ambição como conceitos incompatíveis.
Nesse contexto, cresce entre executivas a percepção de que liderança feminina não deve significar adaptação a modelos antigos de poder, mas a construção de estilos próprios de gestão. Mariana Hatsumura defende que um dos maiores atos de liderança feminina hoje é justamente não tentar se encaixar em padrões antigos de liderança, mas desenvolver formas autênticas e eficazes de ocupar espaços de decisão.
Ao mesmo tempo, empresas enfrentam uma pressão crescente para transformar discurso em prática. A discussão sobre diversidade deixou de ser apenas reputacional e passou a impactar inovação, retenção de talentos e capacidade de crescimento. Em setores ligados à tecnologia e inteligência artificial, por exemplo, a pluralidade de lideranças se tornou parte relevante das estratégias de negócio.
Na Blip, Hatsumura passou a liderar iniciativas ligadas a branding, performance e growth em um momento em que marcas buscam novas formas de relacionamento com consumidores por meio de conversas inteligentes, dados e inteligência artificial. O desafio, segundo ela, é conectar estratégia de marca e crescimento de negócio em uma empresa brasileira com ambição global.
Para a executiva, ampliar a presença feminina no topo depende menos de iniciativas simbólicas e mais de acesso real a oportunidades estratégicas, revisão de vieses em processos de promoção e sucessão e criação de ambientes em que maternidade, flexibilidade e ambição não sejam tratadas como barreiras para liderar.
O objetivo, segundo a executiva, é simples, mas ainda distante para boa parte das empresas: transformar liderança feminina em algo natural, e não excepcional.
““Liderança não é sobre se encaixar em um molde; é sobre gerar impacto sendo quem você é”, conclui.”
— Mariana Hatsumura Costa
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