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Marketing · Noticia

Do “marketing que executa” à liderança estratégica: como Beatriz Oliveira construiu espaço no topo da tecnologia

Head de marketing da Monday.com, executiva relata desafios para conquistar credibilidade em ambientes masculinos e defende uma mudança cultural sobre o papel das mulheres na liderança corporativa

Maria Fernanda (Mafê)
Maria Fernanda (Mafê)
Editora chefe (mCMOs) e co-Founder (Eco PR)
Do “marketing que executa” à liderança estratégica: como Beatriz Oliveira construiu espaço no topo da tecnologia
Síntese do artigo:
Do marketing operacional à liderança estratégica

A trajetória de Beatriz Oliveira reflete a transformação do marketing em uma área diretamente ligada a crescimento, receita e tomada de decisão nas empresas de tecnologia.

Mulheres ainda precisam provar credibilidade constantemente

Mesmo em posições de liderança, executivas seguem enfrentando questionamentos sobre competência e autoridade, especialmente em ambientes corporativos majoritariamente masculinos.

A cultura das empresas define o espaço da liderança feminina

Para Beatriz, o avanço de mulheres em cargos estratégicos depende menos de capacidade individual e mais da maturidade cultural das empresas para reconhecer mulheres como lideranças de negócio.

O maior legado da liderança está nas pessoas desenvolvidas

Mais do que resultados financeiros, Beatriz considera como principal conquista o impacto gerado na formação de profissionais, equipes e futuras lideranças ao longo da carreira.

Entre metas agressivas, ambientes majoritariamente masculinos e a pressão constante por resultados, mulheres que chegam ao topo do marketing ainda enfrentam um desafio, o da permanência. Para Beatriz Oliveira, head de marketing da Monday.com, ocupar espaços de liderança nunca significou apenas conquistar um cargo, mas aprender a sustentar credibilidade em mesas onde, muitas vezes, sua voz ainda é colocada em dúvida.

A executiva, que construiu carreira em grandes empresas de tecnologia e hoje lidera a área de marketing da companhia, afirma que a principal virada de sua trajetória aconteceu quando decidiu deixar as estruturas corporativas mais tradicionais para atuar em empresas com cultura mais dinâmica e acelerada. “O topo não é linha de chegada. Quando você chega lá, percebe que existe uma linha invisível e que, principalmente para mulheres, é mais difícil se manter”, afirma.

Segundo Beatriz, a mudança aconteceu em 2018, quando deixou a Oracle para assumir uma posição na Eventbrite, empresa com perfil de scale-up. Foi nesse ambiente que ela percebeu a possibilidade de construir impacto mais direto nos negócios e ganhar protagonismo em decisões estratégicas. “Esses lugares fazem diferença para quem quer deixar legado, participar do crescimento da empresa e realmente construir algo”, conta.

A decisão também mudou sua visão sobre liderança. Em vez de atuar apenas em estruturas altamente políticas e hierárquicas, ela passou a trabalhar em empresas onde o marketing tinha influência mais direta nos rumos do negócio. O movimento acompanha uma transformação maior do mercado, em que lideranças de marketing deixaram de ser vistas apenas como áreas de comunicação e passaram a ocupar funções ligadas a crescimento, receita e estratégia. Uma pesquisa da McKinsey, do ano passado, mostra que CEOs latino-americanos já associam o marketing diretamente ao crescimento das empresas: 67% afirmam medir o impacto da área pelo aumento de receita e margem. O estudo também aponta que o marketing vem retomando espaço no C-level como área estratégica de negócio.

Quando marketing deixa de ser execução e vira estratégia


Mas a ascensão profissional veio acompanhada de obstáculos que, segundo ela, ainda fazem parte da rotina de muitas mulheres em cargos executivos. Beatriz relata que já teve resultados questionados e números descredibilizados em reuniões lideradas majoritariamente por homens.

“Você precisa estar sempre mais pronta do que os homens. Existe uma necessidade constante de provar credibilidade”

Beatriz Oliveira, CMO na Monday

Na visão da executiva, parte desse cenário ainda está ligada à forma como o mercado enxerga o papel do marketing dentro das empresas. “Por muito tempo, o marketing foi visto como um lugar de execução. A estratégia fica na mão dos homens e a mulher vira ‘a menina do marketing que faz evento’”, afirma.

Para ela, embora existam lideranças femininas conquistando espaço e ampliando influência estratégica, ainda falta uma mudança cultural mais profunda nas empresas para que mulheres sejam reconhecidas como lideranças de negócio — e não apenas operacionais.

“Temos CMOs muito competentes no mercado, conseguindo abrir esse espaço, mas ainda depende muito da cultura da empresa estar preparada para enxergar uma mulher nessa posição estratégica”,

Beatriz Oliveira, CMO na Monday

Liderança que fica nas pessoas

Ao olhar para a própria trajetória, porém, Beatriz afirma que suas maiores conquistas não estão necessariamente ligadas a cargos ou resultados financeiros, mas às pessoas que ajudou a formar ao longo da carreira. “Tenho pessoas que trabalharam comigo e dizem que até hoje pensam nas perguntas que eu faria antes de uma apresentação. Outras falam que se tornaram profissionais melhores depois de trabalhar comigo”, conta.

Segundo ela, construir equipes fortes, desenvolver talentos e criar relações genuínas no ambiente corporativo tornou-se um dos principais indicadores de sucesso da sua liderança. “Essa é a maior conquista que a gente tem”, resume.

Em um mercado ainda marcado pela baixa presença feminina em posições de alta liderança, especialmente em tecnologia, a trajetória da executiva reflete uma transformação gradual do papel das mulheres no marketing: de áreas historicamente associadas à execução para posições diretamente ligadas à estratégia, crescimento e tomada de decisão. Mais do que ocupar uma cadeira na liderança, o desafio agora, segundo Beatriz, é garantir que mulheres tenham voz ativa nas decisões que definem o futuro das empresas.

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