Domingo, 19 de julho de 2026Overview Editorial
IA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usamIA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usamIA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usamIA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usamIA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usamIA no Marketing: como as marcas brasileiras estão se preparandoRebranding: o que muda quando uma marca troca de identidadeCreator Economy em expansão no BrasilRetail Media cresce 40% em 2025CMOs debatem o futuro do branding B2BMartech: as ferramentas que os líderes de marketing mais usam
Pular para o conteúdo
Carreira em movimento · Noticia

O que levou uma grande executiva, no auge da carreira, a pausar?

Com mais de 20 anos de carreira em empresas como GE, Whirlpool e Havaianas, Mari Rhormens trocou o piloto automático por uma pausa transformadora e descobriu que crescimento e evolução nem sempre caminham juntos.

Maria Fernanda (Mafê)
Maria Fernanda (Mafê)
Editora chefe (mCMOs) e co-Founder (Eco PR)
O que levou uma grande executiva, no auge da carreira, a pausar?
Síntese do artigo:
A pausa como escolha, não como crise

Depois de mais de 20 anos em empresas como GE, Whirlpool e Havaianas, Mari Rhormens decidiu interromper o piloto automático não por esgotamento ou ruptura, mas por uma inquietação legítima: entender quem era além das metas, entregas e cargos.

Uma carreira construída sobre pessoas

Da GE à Whirlpool, Mari consolidou uma visão de marketing centrada no consumidor e nas relações humanas. Para ela, grandes decisões de negócio começam pela compreensão genuína das pessoas.

O desafio de existir sem o crachá

Durante a pausa, viagens, leituras, mentorias, palestras e projetos de consultoria abriram espaço para uma pergunta essencial: quem somos quando o cargo deixa de ser nossa principal identidade?

Crescer não é o mesmo que evoluir

Mari percebeu que promoções, escopos maiores e conquistas profissionais representam apenas parte do sucesso. Evoluir envolve autoconhecimento, coerência e impacto, dimensões que nenhum cargo garante sozinho.

Liderança que desenvolve, não apenas entrega

Inspirada por lideranças que combinaram resultado, sensibilidade e confiança, Mari passou a valorizar ainda mais o desenvolvimento de pessoas como medida real de sucesso. Para ela, pausas não são falta de ambição, mas um gesto de coragem e consciência.

Quando uma executiva deixa uma posição de liderança depois de mais de duas décadas construindo carreira em grandes corporações, a primeira pergunta que vem à cabeça costuma ser “mas o que aconteceu?”. Dúvidas sobre burnout, cansaço, crises silenciosas.

Contudo, no caso de Mari Rhormens, a resposta desafia qualquer suposição fácil. Simplesmente, nada aconteceu.

Segundo a executiva, a carreira seguia bem e os desafios continuavam surgindo. Depois de passagens pela GE, Whirlpool, onde ajudou a construir marcas como Brastemp e Consul, e pela Havaianas – quando liderou o marketing da maior operação da marca no mundo e depois assumiu uma função global conectando estratégia, produto e execução comercial em diferentes regiões –, ela havia chegado a um lugar que muitos profissionais passam anos tentando alcançar.

Mas foi justamente nesse ponto que surgiu uma inquietação. Não porque faltasse propósito ou que o trabalho tivesse perdido o sentido. Muito pelo contrário, foi porque valorizava profundamente a própria trajetória que Mari decidiu, pela primeira vez em muitos anos, interromper o piloto automático.

"Queria entender quem eu era além das metas, das entregas e dos cargos".

Mari Rhormens

A carreira que ninguém questiona

Há um tipo de trajetória que ninguém interrompe, aquela que vista de fora parece exatamente como deveria ser. E a de Mari era assim. Começou na GE, onde aprendeu os fundamentos que levaria para o resto da vida, não apenas técnicos, mas humanos. "A GE me ensinou tanto a parte técnica quanto algo que carrego até hoje: tratar as pessoas com respeito, independentemente do cargo ou da posição", lembra.

Na Whirlpool, aprofundou o que chama de "a essência do marketing", em que é necessário entender o consumidor de verdade para construir crescimento sustentável. "Aprendi que marketing não é apenas comunicação. É entender pessoas."

Na Havaianas, viveu o que define como um dos ciclos mais transformadores da carreira. Primeiro liderando o marketing da operação brasileira, depois assumindo um desafio global que exigiu dela uma habilidade de influenciar sem ter controle, construir consenso em contextos completamente diferentes, e conectar o global ao local sem perder nem um nem outro.

Olhando para essa trajetória, existe um fio condutor que ela mesma identifica com clareza, a curiosidade sobre pessoas. "As melhores decisões de negócio começam por uma compreensão genuína do consumidor”. E por ser tão questionadora, o mercado a levou a olhar para si mesma.

O botão que ninguém aperta

Desacelerar numa cultura que celebra produtividade constante é um ato que precisa de justificativa. Especialmente para mulheres em posições de liderança, parar pode soar como perda de ritmo, de relevância, de lugar. Mari sabia disso e parou mesmo assim.

Segundo a executiva, durante a pausa, viajou sozinha para destinos que havia adiado por anos, leu os livros empilhados na cabeceira e escreveu artigos. Além disso, também aceitou convites para palestras e mentorias que antes não caberiam na agenda. E experimentou projetos de consultoria sem saber exatamente onde iriam chegar. "Me permiti viver experiências sem a obrigação de saber exatamente onde elas me levariam. E isso foi incrível", declara.

Foi nesse espaço menos estruturado que surgiu a pergunta que passou a orientar muitas de suas reflexões desde então: Quem somos sem o crachá?

A provocação parece simples, mas toca um ponto que poucas pessoas se permitem explorar com honestidade. Em ambientes de alta performance, cargo e identidade se misturam de um jeito quase imperceptível. A agenda vira medida de importância, o resultado vira validação de valor e quando tudo isso é retirado da equação, resta uma pergunta desconfortável, e libertadora ao mesmo tempo. Para Mari, a resposta não veio de um único momento de insight, mas da soma de experiências, conversas, leituras e silêncios que a pausa tornou possíveis.

A diferença entre crescer e evoluir

A trajetória parecia seguir um roteiro difícil de contestar. Na GE, Mari construiu os fundamentos da carreira. Na Whirlpool, aprofundou sua visão sobre consumidor e estratégia. Já na Havaianas, liderou o marketing da maior operação da marca no mundo antes de assumir uma função global.

Durante boa parte da carreira, Mari associou sucesso a promoções, novos escopos e conquistas profissionais. Hoje, continua valorizando essas realizações, mas entende que elas representam apenas metade da equação. A parte envolve autoconhecimento, coerência e impacto, o tipo de coisa que nenhum cargo garante e nenhum resultado entrega sozinho.

"Percebi que os momentos de maior crescimento profissional nem sempre foram os de maior evolução."

Mari Rhormens

É uma constatação que ganha peso quando vem de alguém acostumada a liderar grandes transformações. Porque crescimento, ela já havia conquistado. O que a pausa trouxe foi diferente, a possibilidade de entender quem ela era além dele.

Liderança que deixa marca

Quando Mari fala sobre carreira, costuma citar duas lideranças como decisivas em sua trajetória. Sydney Rebello, que apostou em seu potencial antes mesmo de ela acreditar em si mesma, e Carla Schmitzberger, que lhe mostrou que resultado e sensibilidade podem caminhar juntos. As experiências ajudaram a moldar sua visão de liderança, baseada em confiança, desenvolvimento e na capacidade de enxergar potencial nas pessoas antes que elas próprias o reconheçam.

Cita também Carla Schmitzberger, com quem trabalhou na Havaianas.

"Ela me mostrou que liderança não precisa escolher entre resultado e sensibilidade. Era extremamente focada e estratégica, mas sem abrir mão da escuta, da empatia e da humanidade."

Mari Rhormens

Não é coincidência que essas sejam as referências que ela carrega, pois foram elas que moldaram sua própria filosofia de liderança, que é menos comando, mais desenvolvimento; menos controle, mais confiança; menos obsessão com o próximo resultado, mais atenção ao potencial que ainda não se revelou. "Hoje acredito que uma parte fundamental da liderança é enxergar potencial antes mesmo de a pessoa enxergar em si mesma", explica.

Quando olha para os momentos de que mais se orgulha na carreira, Mari raramente cita números ou projetos. Fala das pessoas que ajudou a desenvolver, das promoções que apoiou, dos líderes que contribuiu para formar. É uma medida de sucesso que não aparece nos relatórios, mas que, para ela, é a mais real de todas.

Pausas não são o oposto de ambição

O mercado está mais aberto a discutir saúde mental, flexibilidade e trajetórias não lineares do que há dez anos. Mas Mari acredita que ainda existe um tabu específico quando o assunto é pausa, principalmente para quem ocupa posições de liderança. "Ainda existe quem associe desaceleração à falta de ambição, mas eu penso exatamente o contrário."

Para ela, pausas exigem planejamento, responsabilidade e, acima de tudo, coragem para interromper o automático numa cultura que não para e não tomar decisões apenas pelo medo (seja o de ficar ou o de mudar).

"Escute seu momento de vida, seus valores e aquilo que faz sentido para você. Carreira é uma construção de longo prazo."

A retomada, quando veio, trouxe surpresas. Os convites para palestras, mentorias e projetos de consultoria que surgiram durante a pausa mostraram que sua experiência poderia gerar impacto de formas que ela não havia imaginado. E reforçaram algo que o tempo afastado do ambiente corporativo havia deixado claro: ela continuava apaixonada pelos desafios de negócio, pela construção de marcas, pelo desenvolvimento de pessoas.

A diferença é que essa escolha, agora, era consciente.

Talvez a história de Mari Rhormens não seja, no fundo, sobre pausa, mas sobre a coragem de fazer uma pergunta que o mundo corporativo raramente estimula: “quem você é quando ninguém está olhando para o seu cargo?”. E sobre o que acontece quando você decide, finalmente, parar para descobrir. "Crescer é importante. Evoluir é essencial", conclui Mari.

Compartilhar
Mari Rhormensliderança femininacarreira executivapausa na carreiratransição de carreiracarreira e propósito

Comentários

Nenhum comentário ainda.